quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Ajude a economia: divorcie-se

“Recessão e divórcio: expansão nos casamentos fracassados ajuda recuperação econômica”. Este é o título de matéria publicada recentemente no site www.slate.com.

Segundo a reportagem, a crise econômica tornou o custo do divórcio alto demais. Por outro lado, o aumento no número de separações ajudaria a reaquecer a economia. Obrigaria os novos solteiros a duplicar seus gastos com aluguel, alimentação, mobília etc. Sem falar no consumo que implica a busca por novos parceiros.

Seria tosco, se não correspondesse perfeitamente à mais pura lógica capitalista. Por outro lado, desmascara a hipocrisia que envolve a concepção dominante sobre o casamento. Mostra como os laços de família são mantidos muito mais por circunstâncias materiais do que por afeto e paixão.

Na verdade, essa parece ser mais uma regra que uma exceção na história humana. Na Idade Média, por exemplo, os casais formavam-se pressionados pelas necessidades de sobrevivência. Em geral, o camponês escolhia a mulher por sua capacidade de parir e trabalhar. No caso dos aristocratas, a prioridade eram as alianças matrimoniais no interior da mesma família.

A coincidência entre tais conveniências e amor era muito rara. De qualquer jeito, havia poucas dúvidas quanto às motivações pragmáticas da formação das famílias. Coisa que não acontece agora. Daí, o sentimento de culpa e a sensação de fracasso que envolvem as separações de casais.

As crises do atual sistema econômico são devidas a problemas de abundância, não de escassez. Nossos afetos e paixões já não precisariam permanecer prisioneiros de limitações materiais. Esta é mais uma consequência da ordem social competitiva. Verdadeira causa do divórcio entre nossos sentimentos e a vida social.

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