segunda-feira, 7 de maio de 2012

Capitalismo verde X código agroflorestal

“O código dos empresários” é o título de matéria publicada por Daniela Chiaretti, Vandson Lima e Vera Brandimarte no Valor Econômico, em 04/05. O tema da reportagem é o novo código florestal.

O texto registra uma conversa entre representantes de alguns setores empresariais de peso: Horácio Lafer Piva, acionista da Klabin; Pedro Passos, conselheiro da Natura; Paulo Nigro, diretor-presidente da Tetra Pak e Roberto Oliveira de Lima, ex-presidente da Vivo.

A matéria está acessível no site do jornal. É importante ler. Os participantes defendem o veto de Dilma ao novo Código Florestal. Nigro, por exemplo, diz que o texto aprovado no Congresso "deixou o Brasil na era medieval." E explica seus motivos:

O Brasil tem a chance, de liderar uma nova pauta. Chame-a de economia verde, chame de novo capitalismo, é uma pauta calçada em uma economia de menor carbono, com melhor eficiência de como os recursos estão sendo utilizados e com inclusão social.

Passos é mais claro:

Acho que o Brasil ainda não soube encarar a Amazônia como uma fonte de riqueza e está tentando tratá-la como se fosse igual às demais regiões do país.

O Brasil deve ter 14% de sua área em unidades de conservação. Quanto o país extrai de valor delas? Zero.

E Piva completa:

Através do business, do negócio, você pode atacar em uma outra frente. Eu posso recuperar o que já perdi ganhando dinheiro.

O apoio ao veto pode até ser bem-vindo. Mas o objetivo é aprofundar a mercantilização da natureza. Se não queremos o código agroflorestal, também não nos interessa um capitalismo pintado de verde.

Leia também: Vitória ruralista, vergonha petista

2 comentários:

  1. Por favor, caro Sérgio, não utilize o termo "código agroflorestal", pois o sistema de cultivo agroflorestal não tem a menor semelhança com o sistema de cultivo convencional que os ruralistas defendem.
    O sistema agroflorestal utiliza das técnicas e conhecnimentos da agroecologia, um modo de produção menos impactante, adaptado ao ambiente local e holístico.

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  2. Valeu o toque e peço desculpas pela infelicidade do trocadilho. De qualquer maneira, imagino que a grande maioria das pessoas vá fazer a ligação do termo com agronegócio e não com agroecologia.
    Abraço e obrigado

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