segunda-feira, 21 de maio de 2012

A transposição da seca

A pior seca em 30 anos castiga o sertão do Nordeste. Já são 1.100 municípios atingidos. Mas a maior crueldade é de origem humana. E não estamos falando apenas dos caminhões pipas que percorrem o sertão para distribuir água em troca de votos.

O artigo “A Transposição e a Seca” de Roberto Malvezzi foi publicado pelo site “São Franscisco Vivo”, em 16/05. O texto critica a lentidão quase paralítica que vem caracterizando a obra. Diz que o custo do empreendimento:

...já supera oito bilhões de reais, sem por uma gota d’água a quem quer que seja. Ao contrário, destruiu açudes e cisternas por onde os canais já passaram, aumentando a penúria da população que esperava aquela água como redenção de suas vidas.

Pior que isso foi a opção que o governo Lula fez quanto à região a ser atingida pela obra. Segundo o autor, governos e parte da mídia:

...afirmavam que a Transposição iria levar água para o “semiárido”, desconhecendo totalmente a pertença da Bahia, Sergipe, Alagoas, Piauí, Maranhão e Norte de Minas ao mesmo semiárido.

Mas a atual seca, diz Malvezzi:

...começou em território baiano, onde qualquer estudante de geografia do Brasil, ensino primário ou médio, sabe que estão 40% do semiárido brasileiro. A Transposição, mesmo que funcionasse ou venha funcionar um dia, aponta na direção exatamente contrária ao território baiano. Aponta para Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Ele afirma ainda que todas “as águas estocadas na Bahia cabem num único açude do Ceará”. Ao mesmo tempo, 70% dos açudes cearenses estão cheios. Lá, o problema não é a falta de água, mas sua distribuição.

Distribuir seria o objetivo da obra do São Francisco. Transferir água de um lugar em que ela sobra para onde faz muita falta. Do modo como vem sendo feita, a transposição não combate a escassez de um lado e agrava a seca do outro.

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