terça-feira, 5 de março de 2013

Frustração, indignação, quase revolução

Em 03/03, o blog da Boitempo publicou um bom texto de Slavoj Žižek. Trata-se de “Por que os fundamentalistas do livre mercado acreditam que 2013 será o melhor ano de todos”. O melhor trecho diz:

As pessoas se rebelam não quando as coisas estão realmente ruins, mas quando suas expectativas são frustradas. A Revolução Francesa ocorreu apenas quando o rei e os nobres começaram a perder o poder; a revolta anticomunista de 1956 na Hungria eclodiu depois que Imre Nagy já era primeiro-ministro há dois anos, depois de debates (relativamente) livres entre os intelectuais; as pessoas se rebelaram no Egito em 2011 porque houve certo progresso econômico sob o governo de Mubarak, dando origem a uma classe de jovens instruídos que participavam da cultura digital universal. E é por isso que o pânico dos comunistas chineses faz sentido: porque, no geral, as pessoas hoje estão vivendo melhor do que há quarenta anos – os antagonismos sociais (entre os novos ricos e o resto) explodem e as expectativas são muito mais elevadas.

Eis o problema com o desenvolvimento e o progresso: são sempre desiguais, dão origem a novas instabilidades e antagonismos, geram novas expectativas que não podem ser correspondidas. No Egito, pouco antes da Primavera Árabe, a maioria vivia um pouco melhor do que antes, mas os padrões pelos quais mediam sua (in)satisfação eram muito mais altos.

Trotsky e Lênin concordariam. Crises sociais agudas, por si só, não levam a situações revolucionárias. É preciso que as maiorias exploradas e oprimidas resolvam tomar aquilo que lhes está sendo roubado. Frustração torna-se indignação. Ainda não é revolução. É quase...

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