quarta-feira, 13 de março de 2013

O chavismo e suas dependências

Em setembro de 2012, matéria de O Globo tinha o título “Risco de derrota de Chávez nas urnas deixa aliados apreensivos”. A reportagem de Janaína Figueiredo afirmava que Cuba e Nicarágua seriam os parceiros latino-americanos mais afetados com a possível mudança de governo.

Segundo o texto, “entre 2005 e 2011, o governo Chávez destinou cerca de US$ 82 bilhões a acordos de cooperação com mais de 40 países”. Entre estes os maiores beneficiados seriam Cuba, Nicarágua, Argentina, Bolívia e República Dominicana.

Cuba teria recebido em torno de US$ 28,5 bilhões. O segundo na lista seria a Nicarágua, com US$ 9,7 bilhões. Em terceiro, a Argentina, com US$ 9,2 bilhões, sendo US$ 6 bilhões em papéis da dívida pública do país.

É verdade que Janaina usava números da oposição venezuelana, pois não haveria indicadores oficiais. Mas muitos chavistas admitiriam com orgulho a veracidade dos dados. Seria a forma que Chávez teria utilizado para implantar uma espécie de “internacionalismo socialista” bancado pelo Estado.

Estaria tudo muito bem não fosse por duas razões. A primeira é a dependência desse internacionalismo em relação à figura de Chávez. Já era ruim temer pela derrota eleitoral do presidente venezuelano. Piorou muito com sua morte.

Mas digamos que o chavismo mantenha-se firme após o desaparecimento de seu líder. Ainda assim, continua a dependência “bolivariana” em relação ao petróleo venezuelano. Se o preço do produto despencar, arrasta junto a própria Venezuela e os países que Chávez vinha financiando.

É por isso que nenhuma construção socialista pode começar de cima para baixo, muito menos depender dos humores do mercado capitalista.

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