quinta-feira, 7 de março de 2013

Que os discípulos do chavismo superem seu mestre

Para grande parte da imprensa empresarial, Chávez era um autocrata amado pelas maiorias pobres. Mas que ditador venceria 15 de 16 eleições disputadas em 14 anos? Por que multidões de pobres e explorados salvariam um tirano de um golpe de estado?

É verdade que Chávez manipulava mecanismos institucionais em seu proveito. Mas não mais do que fazem muitos governantes nas democracias cada vez mais limitadas em que vivemos, com suas medidas provisórias e maiorias parlamentares compradas com cargos e verbas.

Sua “revolução bolivariana” e seu “socialismo do século 21” estão longe de ameaçar o imperialismo que ele corretamente denunciava. Os Estados Unidos, por exemplo, continuam a ser os maiores compradores do petróleo venezuelano. E o país permanece dependente desse comércio.

Por outro lado, essa enorme riqueza passou a ser usada para melhorar a vida dos mais necessitados. Chávez criou mais de 20 programas assistenciais ou de transferência de renda. Destinou a eles mais verbas que o Bolsa Família brasileiro, que atende um público quase seis vezes maior.

Mas intolerável mesmo para os poderosos era a confiança que Chávez transmitia a seus iguais. Ele ensinou aos descendentes de negros e índios a manifestar seu nojo e ódio contra quem os explora há séculos. Vibraram, por exemplo, quando Chávez reclamou do cheiro de enxofre de George Bush, em plena sessão da ONU.

Apesar disso tudo, a maior fraqueza do chavismo é sua confiança em um Estado incapaz de fazer verdadeira justiça social. Que os apaixonados discípulos de Chávez superem o mestre. Ganhem autonomia e organização própria. Asfixiem os inimigos do povo em seus próprios odores pestilentos.

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