sexta-feira, 1 de março de 2013

Tolerância demasiada

“Criatividade do lulismo está esgotada” é o título de entrevista concedida por Vladimir Safatle ao Brasil de Fato e publicada em 27/02. Duas afirmações merecem destaque.

Referindo-se ao sumiço da pauta política da taxação de grandes fortunas, Safatle disse: “No interior do lulismo, todas as políticas que poderiam radicalizar conflitos de classe foram e serão evitadas”. E complementa:

...o governo pratica um discurso das conquistas passadas que devem ser preservadas, não dos projetos futuros que devem ser alcançados. Um exemplo: o governo tem um programa crível de universalização do ensino público de qualidade? Ou do sistema de saúde? Vejam, não há sequer um projeto neste sentido.

Em outro momento que merece destaque, ele nega a divisão do mundo em culturas opostas e inconciliáveis:

...não há nada parecido com uma “visão islâmica de mundo”. Ela é tão clivada e contraditória quanto as diferentes visões de mundo que podem existir entre um evangélico convicto e um cristão que há anos não passa na porta de uma igreja.

Lembra o posicionamento de um intelectual africano entrevistado pelo site “Afreaka”. Nela, Pathisa Nyathi, professor e escritor do Zimbábue, afirma:

Quando olhamos para a cultura, o maior problema que vejo nas pessoas é que elas procuram diferenças mais do que semelhanças. Eu não vejo a cultura desse jeito. Eu a vejo como algo universal. Todos os seres humanos nesse planeta têm música e dança. Não importa se você é branco, negro ou amarelo, você tem música e dança. (...) Essa é a tragédia da raça humana, que se concentra nas diferenças.

Tolerância demasiada, apenas em relação às diferenças de classe.


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