segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Mortes voluntárias e assassinatos em família

Duas matérias interessantes sobre mortes foram publicadas recentemente. A primeira é “Crise econômica de 2008 pode ser causa de milhares de suicídios no mundo”. Publicada pela Carta Maior, a reportagem cita um estudo divulgado pelo British Medical Journal em 17/09. A pesquisa:

... afirma que a crise econômica mundial de 2008 poderia ser a causa do aumento das taxas de suicídio na Europa e nos EUA, especialmente entre os homens, e nos países com maiores níveis de destruição do emprego.

A outra matéria é “Aumento de crimes em família pode ser fenômeno social, dizem especialistas”, publicada por Cleyton Vilarino no UOL Notícias, em 19/09. A reportagem também mostra que, em geral, o assassino suicidou-se após matar os parentes.

Especialistas apontam como possíveis causas “a falta de qualidade de vida nos grandes centros urbanos” e a precariedade das relações de trabalho. É o caso da psicóloga Marina Bazon, da USP Ribeirão Preto, que afirma:

Imagine que você está em uma sociedade na qual a situação de trabalho é muito difícil, com empregos informais e direitos violados. Esse estresse vai ter de sair em algum lugar. Se não é fora de casa, vai ser dentro.

Um e outro fenômeno não parecem ligados. O primeiro acontece em países fortemente afetados pela atual crise capitalista. O segundo, num lugar que não sentiu todos os efeitos dela. Mas em ambos os casos, a morte voluntária está presente. E a ditadura da circulação das mercadorias, também.

Em uma sociedade em que as coisas mandam nas pessoas, morrer pode tornar-se alternativa ao que já não é encarado como viver. 

Um comentário:

  1. Penso muito nisso... cada vez mais amigos/familiares visitando psicólogos e psiquiatras, tomando remédios, com gastrite, enxaqueca... não estamos tendo tempo para viver, para curtir pais e filhos, sempre sentimo-nos "devendo" alguma coisa, isso quando não estamos mesmo! Estamos sempre devendo dinheiro ao banco, relatório pro chefe, estamos devendo uma ida ao médico, à academia... a ditadura do estar bem (sem estar, é claro!).

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