segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Moedas que explodem no ar

Há alguns meses, o governo alemão autorizou transações privadas em bitcoin. Na mesma época, o Valor publicou um artigo sobre esta moeda que circula somente em ambientes virtuais. Em “Dinheiro para uma revolução”, Alexandre Rodrigues diz que desde janeiro de 2009, quando foi criado, o bitcoin já “passou por duas bolhas especulativas”.

A última delas aconteceu no início deste ano. Os boatos de confisco do dinheiro de correntistas no Chipre provocaram:

...uma corrida ao bitcoin por europeus, preocupados com a possibilidade de seus governos fazerem o mesmo. Um bitcoin, que valia US$ 10 em janeiro, chegou a US$ 256 em 4 de abril, quando houve o estouro da bolha. Nos últimos três meses, a cotação de um bitcoin se manteve na faixa entre US$ 100 e US$ 120.

Segundo o artigo, o “bitcoin retira os governos da equação. A confiança é entre indivíduos, sem intermediários”. Mas dinheiro circulando sem garantia estatal não tem nada de revolucionário. Muito mais provável é que provoque novas bolhas especulativas.

Na reportagem, Rodrigo Batista, da corretora Mercado Bitcoin, admite que o bitcoin não conta com garantias, como o ouro ou qualquer outro metal. Mas, diz ele, “o lastro de todo o dinheiro, não só o virtual, é cada vez mais etéreo". Está coberto de razão. Afinal, a principal causa da crise de 2008 foi a especulação com investimentos sem lastro.

No capitalismo, o dinheiro deveria ser a mais consistente das mercadorias. Mas, como disse Marx, na sociedade burguesa tudo o que é sólido desmancha no ar. No caso da especulação financeira, não sem antes explodir e provocar imensos desastres sociais.

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