quinta-feira, 5 de setembro de 2013

O “Criança Esperança” e a pedagogia do opressor

A 28ª edição do Criança Esperança, promovida pela TV Globo, aconteceu no Rio de Janeiro, em 31/08. Trata-se do maior evento de filantropia do País. Mobilizou quase 800 mil doadores e arrecadou, pelo menos, R$10 milhões para a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Há muito tempo correm boatos de que a Globo lucra com a campanha. Mas o maior problema não é este. Se há crianças que são vítimas da injustiça social, monopólios como a Globo são os principais responsáveis. A seus proprietários deveria ser dirigida a pergunta que fez São Gregório de Nissa em seu “Sermão contra os Usuários”: “De que vale consolar um pobre, se tu fazes outros cem?”

O sermão é citado no livro “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire. Nesta obra tão importante, o autor diz que um dos mecanismos de dominação é aquele em que o oprimido incorpora a lógica do opressor. É isso que leva centenas de milhares de explorados a ajudar outros de seus pares, enquanto seus exploradores assistem de camarote.

Não se trata de condenar a caridade. Mas de defini-la como fez Freire na mesma obra. Referindo-se às mãos estendidas dos pobres, ele diz:

...a grande generosidade está em lutar, cada vez mais, para que estas mãos, sejam de homens ou de povos, se estendam menos, em gestos de súplica. Súplica de humildes a poderosos. E se vão fazendo, cada vez mais, mãos humanas, que trabalhem e transformem o mundo.

A transformação do mundo pelos oprimidos é condição para derrotar a pedagogia do opressor.

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