quinta-feira, 26 de setembro de 2013

O permanente sacrifício dos indígenas

Matéria do portal Ig afirmaConstrução de rodovias no governo militar matou cerca de 8 mil índios”. A reportagem de Luciana Lima, publicada em 25/09, refere-se a conclusões da Comissão da Verdade, encarregada de investigar os crimes da ditadura militar.

O número mostra que a ação covarde das forças de repressão não atingiu apenas jovens de classe média, como querem alguns defensores enrustidos do regime militar. Segundo o texto, a maior parte das mortes aconteceu em quatro frentes de construção de rodovias.

São estradas construídas na região norte e centro-oeste, como Transamazônica e Perimetral Norte. Não há como chegar a um número exato, mas relatos mostram que as obras representaram “uma verdadeira tragédia para 29 grupos indígenas”.

O desconhecimento sobre tamanha mortandade mostra como uma ditadura é capaz de tornar invisível um verdadeiro massacre racista. Mas a mesma invisibilidade toma conta do que vem acontecendo no Congresso Nacional.

Mesmo sem ditadura, quase ninguém sabe que há um projeto que ataca direitos indígenas em debate. Trata-se de proposta do senador Romero Jucá (PMDB-RR) que atende aos interesses dos ruralistas e do grande capital em geral. Permite liberar terras indígenas, para a instalação de fazendas, minas, hidrelétricas e estradas.

O governo petista é a favor da proposta. Alega que a alternativa é pior: uma emenda constitucional que transfere ao Legislativo a competência de aprovar as demarcações. Com um Congresso dominado por ruralistas e empreiteiras seria um desastre.

Mas esta situação é resultado de um governo que retira sua força da rendição aos poderosos. Que oferece a vida dos mais fracos em sacrifício ao deus genocida do progresso.

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