quarta-feira, 16 de outubro de 2013

A pedagogia da resistência está nas ruas

Uma das grandes contribuições do marxista Antônio Gramsci à teoria socialista foi o conceito de hegemonia. Segundo o revolucionário italiano, hegemonia é a liderança cultural-ideológica que uma classe exerce sobre as outras.

Vivemos em um sistema baseado na oferta voluntária de força de trabalho no mercado. Nenhuma lei  obriga a trabalhar em troca de salário ou remuneração. Portanto, a coerção não pode ser principal pilar da dominação da sociedade capitalista. É verdade que são muitas as vezes em que a classe dominante faz uso da violência estatal. Mas é o consenso social em torno dela que torna possível sua utilização.

Portanto, a dimensão consensual da dominação burguesa é fundamental. E seus elementos pedagógicos desempenham papel essencial na construção desse consenso. É por meio deles que são impostos valores que justificam a exploração e a opressão. Daí decorre a afirmação gramsciana de que “toda relação de hegemonia é necessariamente uma relação pedagógica”.

Felizmente, ao longo de séculos de luta, os dominados também desenvolveram sua própria pedagogia. Criaram suas práticas educativas de resistência e transformação social. E elas ensinam que construir consensos contra qualquer tipo de dominação implica convencimento, não coação. São as relações baseadas na persuasão que devem predominar entre os explorados e oprimidos, em suas lutas e organizações.

O combate sem tréguas e vitórias impiedosas devem ser reservados a nossos inimigos: a classe dominante, seus aliados, instrumentos políticos, aparelhos de dominação e de repressão. É como ensina a antiga palavra de ordem do pacifismo revolucionário: “Paz entre nós, guerra aos senhores”.

É esta pedagogia da resistência que vem sendo experimentada nas ruas brasileiras desde junho.

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