segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O animal que calcula

Somos os únicos animais que fazem cálculos. Um clássico da literatura brasileira trata dessa habilidade de modo mágico. É o livro “O Homem que Calculava”, de Malba Tahan, pseudônimo de Júlio César de Mello e Souza.

São histórias narradas na Bagdá muçulmana do século 13. O personagem principal é Beremiz Samir, que ao longo da narrativa soluciona e explica problemas, resolve quebra-cabeças e conta curiosidades da matemática.

O livro pretende diminuir o pânico de crianças e adolescentes em relação à matemática das salas de aula. Infelizmente, nem sempre consegue. A matéria continua a ser ensinada de modo abstrato e sem sentido. Parece uma religião para poucos, com garantia de castigo infernal para muitos.  

Muito provavelmente, a matemática tem esse ar ameaçador devido à divisão social do trabalho que impera em nossa sociedade. Uma repartição de ocupações em que a grande maioria executa tarefas sem ter a mínima ideia sobre os fins a que elas servem. Tal como a álgebra, cuja misteriosa mistura entre números e letras toma o lugar da transparente aritmética.

Além disso, sob a ditadura da circulação da mercadorias que nos governa, a quantidade é tudo. A qualidade pouco importa. Daí, a crescente precificação de tragédias sociais e problemas de saúde, por exemplo. Não importa quem são as vítimas, mas que prejuízos econômicos suas dores causaram.

Calcular é uma habilidade maravilhosa. Mas jamais deve se impor às inúmeras outras características de nossa espécie. Ao contrário, é a combinação delas todas que nos torna especiais.

Como diz o livro de Tahan: “É preciso desconfiar sete vezes do cálculo, e cem vezes do calculista.”

Leia também: A turbulenta infância da espécie humana

2 comentários:

  1. Acho que nem os próprios professores entendem o que estão ensinando. Por exemplo, as ''tias'' sempre me falaram que se eu tivesse uma igualdade, bastaria eu passar um valor de um lado para o outro de modo a resolver a equação. Só recentemente fui descobrir que a lógica por trás disso, acho que veio dos franceses, é a ''regra da balança'': se eu faço as mesmas alterações em ambos os lados da equação(a balança), a igualdade permanece. É @#%^&* aprender isso só com 18 anos.

    Enfim, você recomendeu o livro do Malba; aproveito para recomendar esses, se alguém estiver tentando entender a ''rainha das ciências'':

    O que é Matemática - Richard Courant
    Fundamentos de Matemática elementar - Gelson Iezzi
    A Matemática do dia a dia - Steven Strogatz

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    1. Valeram as dicas e o comentário, Rodolfo.
      Abraço

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