quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O PT quer uma burguesia pra chamar de sua

“Campeãs nacionais de desastres”, diz o título do artigo de Elio Gaspari, publicado na Folha de S. Paulo em 06/10. Basicamente, o colunista diz que “o sonho petista de criar um bloco de empresas financiadas pelo BNDES” tornou-se um pesadelo.

Gaspari diz que o banco estatal investiu perto de R$ 20 bilhões em “empresas companheiras”. Entre elas, as de Eike Batista e a "supertele" Oi, que já nasce com uma dívida de R$ 45,6 bilhões. Outras apostas desastradas foram as fusões da Aracruz com Votorantim e da Marfrig com JBS.

Enquanto isso, no mesmo dia, Carta Maior publicava o artigo “‘Não existem mais burguesias nacionais’, afirma Leo Panitch”. O texto de Rodrigo Mendes destaca alguns pontos da palestra do professor da Universidade de York, no Canadá, ministrada na Universidade Federal do ABC.

Como diz o título da matéria, Panitch questiona o uso do conceito "burguesia nacional". “Pelo grau de integração entre as multinacionais dos estados ricos, as burguesias agora são internacionais”, diz ele.

Panitch é marxista e segue o mestre na capacidade de ousar nas reflexões sobre a realidade. Ele nega, por exemplo, a ideia de que governantes obedeçam aos grandes capitalistas. O próprio Estado seria parte da acumulação capitalista. É por isso que afirma:

Os empresários não dizem para o PT o que fazer. Como podemos dizer que o PT segue o que a burguesia manda? Não é isso que acontece, não há uma ‘mente’ que diz o que o governo deve fazer. O Estado é dependente da acumulação capitalista.

Faz sentido. Mas o PT continua querendo uma burguesia pra chamar de sua. 

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