quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Na pedagogia da revolução, revolucionário é aprendiz

A educação política dos trabalhadores sempre esteve entre as grandes preocupações dos revolucionários. Desde comunistas como Marx, Engels, Lênin, Trotsky, Rosa e Gramsci aos anarquistas Goodwin, Proudhon e Bakunin.

Entre nossos militantes da educação para a liberdade, destacam-se Dermeval Saviani e Paulo Freire. Saviani, por exemplo, definia a pedagogia contra-hegemônica como um processo que procura:

... desarticular dos interesses dominantes aqueles elementos que estão articulados em torno deles, mas não são inerentes à ideologia dominante e rearticulá-los em torno dos interesses populares, dando-lhes a consistência, a coesão e a coerência de uma concepção de mundo elaborada, vale dizer, de uma filosofia.

Ou seja, valores como solidariedade, justiça, igualdade não são propriedade da classe que mais os proclama e jamais os coloca em prática. Foram sequestrados por quem quer dourar sua dominação. A atividade educativa de contestação deve resgatá-los desse cárcere a serviço de interesses privados. Colocá-los à disposição dos únicos interessados na derrubada da ordem social atual: os que são explorados e oprimidos por ela.

Para Paulo Freire, somente na medida em que se descubram “hospedeiros do opressor”, os oprimidos poderão contribuir para o “partejamento de sua pedagogia libertadora”. Mas ele também adverte:

O caminho, por isto mesmo, para um trabalho de libertação a ser realizado pela liderança revolucionária não é a “propaganda libertadora”. Não está no mero ato de “depositar” a crença da liberdade nos oprimidos, pensando conquistar a sua confiança, mas no dialogar com eles.

Com tal afirmação, Freire dizia pretender apenas “defender o caráter eminentemente pedagógico da revolução”. Postura que permite deduzir a permanente condição de aprendiz que todo revolucionário deve assumir.

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4 comentários:

  1. A inquietação e a dúvida que tem me causado a questão dos Black Blocs é uma prova do que diz esta pílula. Se tanta gente que admiro politicamente e pessoalmente vê pertinência na tática dos meninos, ao mesmo tempo, tenho dificuldade de enxergar o mesmo que estes valorosos companheiros. Sou aprendiz, portanto...

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    1. Concordo com você. Tenho a mesma dificuldade.

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  2. E isso aí, Maurão. Somos todos aprendizes se quisermos continuar sendo partidários da revolução. Também tenho muitas dúvidas quanto aos Black Blocs e mascarados em geral, mas elas se dissipam cada vez que a polícia dispara tiros e solta gases e seus vermes são flagrados infiltrados nas manifestações.
    Bração, camarada!

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