sexta-feira, 18 de outubro de 2013

O Yellow Bloc

Em 15/10, houve mais de 240 prisões entre os participantes da manifestação em apoio à greve dos professores no Rio de Janeiro. Vários deles foram enquadrados na Lei do Crime Organizado, recentemente aprovada para tentar criminalizar os participantes das grandes manifestações que começaram em junho. 

Entre os presos, havia integrantes dos Black Blocs, cuja atuação não se resume a destruir vidraças e fachadas. As imagens postadas nas redes virtuais mostram a função defensiva desses grupos contra a selvagem violência policial que se abate sobre os manifestantes. Entre os detidos, também havia militantes que estavam acampados na escadaria da câmara municipal carioca. Uns e outros jamais podem ser considerados terroristas ou membros de quadrilha, como querem as autoridades policiais. Sua motivação é política e assim deve ser julgada.

A justificação em larga escala para essas prisões vem sendo feita pela grande imprensa. A capa de O Globo de 17/10, por exemplo, chamava de vândalos aos detidos. Caracterização que despolitiza a atuação dos militantes presos. Mas nada disso pode surpreender. Grande mídia e aparelho judiciário apenas cumprem sua principal tarefa: defender a ordem, mesmo à custa da liberdade de manifestação e de expressão.

O que causa verdadeira revolta é atitude de alguns políticos de plantão. Entre eles, muitos que enfrentaram situação semelhante em seu passado de lutas. Que preservaram sua dignidade, mesmo quando seus corpos eram barbaramente torturados. Que encararam com coragem carrascos que, hoje, se escondem covardemente.

Não há porque duvidar que continuem sendo pessoas corajosas. Mas politicamente se acovardaram. Amarelam do medo de perder seus cargos e projetos políticos nanicos. Formam um desprezível "Yellow Bloc".

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