terça-feira, 15 de outubro de 2013

Da pedagogia dos escravos à pedagogia da exploração

A reitoria da USP está sendo ocupada por seus alunos e funcionários. Entre as reivindicações, a eleição direta para reitor. Em 12/10, a Folha de S. Paulo publicou artigo de Marcos Fernandes G. da Silva sobre a questão. O título não deixa dúvidas: “Universidade não é nem deve ser democrática”.

Para o doutor em Economia da USP, a democracia deve ficar longe da administração e da gestão acadêmica. “A USP é como uma empresa e funcionário trabalha para os alunos e professores produzirem conhecimento e ensino”, diz Silva.

Pelo menos, o doutor não esconde seu desapego pela democracia. Mas sua concepção de universidade também tem pouco a ver com pedagogia. A palavra vem do grego “paidagogós”, produto da combinação entre “paidós” (da criança) com “agogós” (condutor). “Pedagogo” seria aquele que acompanhava a criança até o local de estudos, ocupação reservada aos escravos.

Mais tarde, “pedagogia” passou a significar “ciência da educação”, e deixou de se limitar à formação da infância. Com os atenienses, aproximou-se do conceito de “paideia”, cuja tradução em nossos dias seria “processo civilizatório”. Seria a busca de um povo pelo que consideraria ser o melhor em termos de cultura ou civilização.

Desde os gregos antigos, melhoramos. Já não admitimos a escravidão legal, por exemplo. Progrediríamos ainda mais se considerássemos a pedagogia como tarefa de todos os envolvidos nas atividades educativas. Não apenas de alguns doutores trepados em suas cátedras.

Nosso processo civilizatório também ganharia muito se a prática educativa deixasse de ter como modelo relações sociais humilhantes. No caso, as que resultam da exploração do trabalho humano que a atividade empresarial necessariamente implica.

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