segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Em breve, até cocô poderá dar lucro

No século 19 Marx afirmou que o capitalismo tende a transformar tudo em fonte de lucro. Mais de 150 anos depois, esta previsão só vem se confirmando. E não estamos falando apenas da venda de créditos de carbono ou do hidronegócio.

Que tal um vaso sanitário que pode levantar o assento automaticamente, aquecê-lo e se conectar a um smartphone para reproduzir suas músicas preferidas, enquanto você se concentra no principal? Ele já está à disposição no Japão

No lado oposto da fisiologia humana, temos uma geladeira conectada, que oferece dicas de culinária, controla seu próprio abastecimento e armazena suas preferências gastronômicas. Ela existe, é da Samsung e, recentemente, uma delas foi flagrada enviando spams.

Estes dois produtos são citados no artigo “Da utopia digital ao choque social”, de Evgeny Morozov, publicado em 02/10 no Le Monde Diplomatique. Fazem parte da chamada “internete das coisas”. Mas seu objetivo não é apenas oferecer estranhas comodidades.

Morozov desconfia de que as informações coletadas por esses objetos on-line sirvam às poucas e poderosas empresas que controlam os negócios mundiais. Talvez, o que deixamos para trás após uma visita ao banheiro não seja tão descartável quanto pensamos.

Quando você menos espera, pode receber um anúncio publicitário sobre a possibilidade de ter doenças que somente um exame de fezes detectaria. Ou ofertas de alimentos com base nos registros de seus assaltos noturnos à geladeira.

Hoje, ainda podemos optar por resguardar a intimidade de nosso aparelho digestivo. Em breve, o mercado deve tornar essa opção mais difícil. E até cocô poderá dar lucro. Mas não para a grande maioria de seus legítimos produtores.

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