quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Os maiores vetores do Ebola

Muitas epidemias precisam de vetores para se alastrar. É o caso do mosquito da febre amarela. Era ele que, no início do século 20, espalhava a doença que matava milhares no Rio de Janeiro, todo ano.

A tuberculose já vinha dizimando os escravos há séculos sem que ninguém se preocupasse. Mas, estranhamente, a febre amarela atacava mais os brancos. Eis porque Oswaldo Cruz mandou derrubar bairros populares inteiros. Funcionários armados invadiam barracos e casebres para injetar um organismo estranho na população. Não à toa, estourou a Revolta da Vacina, afogada em sangue.

Algo parecido vem acontecendo com o Ebola. A doença mata há quase 40 anos na África. Precisou chegar a Europa e Estados Unidos para que o alarme soasse.

O Ebola mata principalmente na Guiné, Libéria e Serra Leoa. São países que viveram sob ditaduras por várias décadas. Governos, para os povos desses países, são sinônimos de violência brutal. Por isso, fogem de seus agentes. Preferem morrer em paz e cercados pelos seus.

Nos Estados Unidos, são 24 médicos para cada 10 mil pessoas. Na Guiné, apenas um para o mesmo número. Em Serra Leoa, um por 50 mil. Na Libéria, algumas dezenas para uma população de 4 milhões.

O Ebola é menos contagioso que o sarampo e a pólio. Infecta tanto quanto a gripe. O que vem matando os africanos pobres são o autoritarismo estatal e um sistema de saúde inexistente. Ambos, resultado de um sistema voltado para uns poucos privilegiados. Uma elite que se beneficia da exploração de seus povos pelo capital internacional. Uns e o outro são os maiores vetores do Ebola.


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