quinta-feira, 10 de março de 2016

Ainda há esperança para as redes virtuais

Numa comunidade industrial na China, onde os habitantes vivem em dormitórios compartilhados com outros trabalhadores, as redes sociais são dos poucos locais privados.

O trecho acima faz parte da matéria “Pesquisa mostra diversidade do uso das redes sociais pelo mundo”, de Sérgio Matsuura, publicado no Globo em 07/03. Trata-se do “maior estudo antropológico já realizado sobre as redes sociais”, diz a reportagem.

Foram 15 meses, em que uma equipe de nove pesquisadores da Universidade College London fez observações presenciais para saber como membros de pequenas comunidades se relacionam on-line em oito países: Brasil, Turquia, Trinidad e Tobago, Chile, Itália, Índia e China.

Os resultados do estudo ajudam a moderar a visão apocalíptica que muitos de nós temos das redes virtuais. Na Índia, por exemplo, a internete permite colocar em contato pessoas que pertencendo a castas diferentes são proibidas de dividir o mesmo espaço físico.

Algo parecido ocorre na Bahia, onde “membros de igrejas evangélicas podem se tornar amigos de seguidores do candomblé pelo Facebook, apesar de encontros pessoais serem recriminados socialmente”.

Ao mesmo tempo, o estudo mostra que a utilização desses recursos digitais não consegue maiores alterações quanto aos problemas de exclusão e segregação social no mundo real.

O Brasil é citado novamente como exemplo: “Funcionários podem ter os mesmos smartphones que seus empregadores, mas isso não faz com que se tornem amigos ou se adicionem em redes sociais”, diz a matéria.

Na verdade, tal como acontece com outras tecnologias, muita coisa depende de quais forças sociais as controlam. E tudo o que os conservadores querem é que deixemos as redes sob seu domínio absoluto.

Leia também: Vem aí o apocalipse digital. Que bom!

Nenhum comentário:

Postar um comentário