domingo, 20 de março de 2016

Lula de volta ao xadrez

Em “Os Assassinatos da Rua Morgue”, Edgar Allan Poe compara os jogos de damas e xadrez. Neste último, diz ele, com suas regras diversas e estranhas, a “complexidade é considerada profundidade”, equivocadamente.

Segundo o escritor estadunidense, no xadrez, uma simples desatenção pode causar um erro que determina uma perda importante ou a derrota. Isso acontece porque os movimentos possíveis são não somente variados como “desiguais em força”, o que multiplica bastante as possibilidades de enganos. Desse modo, “em nove casos de dez, é o jogador mais atento que ganha e não o mais hábil”.

Já no jogo de damas, continua Poe, os movimentos simples e as peças equivalentes entre si favoreceriam a vitória pela “perspicácia superior”.

Tudo isso apenas para dizer que de nada adiantou a volta de Lula ao tabuleiro na condição de peça poderosa, se continua com os movimentos paralisados pelo cerco de muitas peças, todas executando movimentos cada vez mais complexos e combinados para neutralizá-lo.

O pior é que nem está claro quais são as peças inimigas e quais as aliadas, se é que estas últimas existem.

Esta seria o momento de dizer que o melhor seria lutar por um espaço institucional semelhante ao jogo de damas, com suas regras mais simples e o caráter igualitário de suas peças, sem reis, bispos, cavalos etc.

Mas seria outra metáfora binária e inadequada ao momento atual. Se há alguma esperança de acumular forças para derrotar a direita, ela está bem longe de qualquer tabuleiro. Está nas ruas, às quais Lula foi apenas para pedir que seus inimigos não o tratem como inimigo.

Leia também: Lula dentro da armadilha

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