quinta-feira, 9 de março de 2017

As guerreiras da Comuna de Paris

Em sua biografia “ Eleanor Marx”, Rachel Holmes diz que a Comuna de Paris era um assunto de família para os Marx. A começar por Hippolyte Lissagaray, que lutou nas trincheiras parisienses e foi o primeiro namorado de Eleanor.

Mas também havia Elisabeth Demetrioff. Fundadora e líder da união de mulheres de Paris, ela era amiga pessoal da família, e, em particular, de Eleanor. Foi a presença de personalidades como Elisabeth que transformou a Comuna em um grande “evento de gênero”.

Segundo Rachel, “os homens adultos eram a maioria, mas havia mais mulheres envolvidas na Comuna de Paris do que em qualquer revolução anterior”. Este teria sido um dos principais fatores para o ódio que a Comuna despertou e o covarde massacre de que foram vítimas seus integrantes.

Cerca de três mil mulheres trabalharam nas fábricas de armas e munições. Um batalhão feminino da Guarda Nacional foi formado por 120 combatentes que lutaram nas barricadas de Paris. Mulheres com armas nas mãos só podiam atrair o ódio dos conservadores da época.

Não à toa, um correspondente do “Times”, de Londres, escreveu: “Se a nação francesa fosse composta apenas por mulheres, que terrível nação seria.”

Mas a discriminação contra as mulheres vinha de muito antes. Inclusive, entre os setores militantes dos trabalhadores.

Na fundação da Primeira Internacional, em 1864, por exemplo, o Conselho Geral, dirigido por Marx, aprovou a admissão de mulheres. Pois foi exatamente a delegação francesa que se opôs à decisão, alegando que o lugar delas era “no lar".

Quase 150 anos depois, continuamos a precisar de novas comunas, com ainda mais mulheres guerreiras.

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