terça-feira, 14 de março de 2017

Eleanor Marx na caldeira da luta de classes

Voltamos à biografia “Eleanor Marx”, de Rachel Holmes. Em 1886, ela publicou “A Questão Feminina: um ponto de vista socialista”, junto com Edward Aveling.

Desde o início, os autores deixam claro que é impossível compreender a desigualdade entre homens e mulheres sem levar em conta os fatores econômicos que a sustentam:

...aqueles que denunciam a situação atual das mulheres sem buscar suas causas na economia de nossos dias são como médicos que tratam uma doença local sem investigar a saúde física geral.

Por outro lado, diz Rachel, em nenhum momento os autores argumentam que a opressão sexual pode ser resolvida com uma resposta meramente econômica: “A questão da mulher diz respeito à organização da sociedade como um todo”, afirmam.

E para travar essa luta, defendem a formação de uma frente feminista única, e recomendam à Segunda Internacional que trabalhe por um movimento feminista internacionalista. Afinal, dizem, “assim como não pode haver socialismo num país só, também não pode haver feminismo num só país.”

Além disso, as mulheres “devem entender que sua emancipação será obra delas mesmas”. Elas certamente encontrarão aliados entre os melhores homens, assim como os trabalhadores encontram aliados entre filósofos, artistas e poetas. Mas não têm nada a esperar do homem em geral, assim como os trabalhadores não têm nada a esperar da “classe média como um todo”.

Esta é só uma pequena amostra da combatividade da filha de Marx. Não à toa, ela se tornaria uma grande liderança dos trabalhadores britânicos do setor de gás. Entre eles, era conhecida como a “nossa velha foguista”, referindo-se àqueles que mantêm a caldeira a pleno vapor.

2 comentários:

  1. É isso aí, vamos deixar de sofismas: a libertação dos explorados, a libertação da mulher, o direito ao aborto etc, será obra principalmente e determinante dos próprios.

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