sexta-feira, 24 de março de 2017

Sobre bodes na sala e outros bichos

Imagine uma casa cheia de gente que não se entende. De repente, um dos ocupantes coloca um bode no meio da sala. Diante do fedor e da falta de espaço causados pelo bicho, todos esquecem suas diferenças.

Esta é a “teoria do bode na sala”, muito utilizada para explicar algumas situações políticas ou sociais. Por exemplo, a reforma da previdência teria feito o papel do bode na sala para que a liberação da terceirização fosse aprovada.

E, quem sabe, os novos bodes venham a ser os problemas causados com a terceirização generalizada, enquanto é aprovado o fim das aposentadorias para quase todos. Logo depois, viria o bode da quebra da estabilidade dos servidores públicos.

Desse modo, bodes e mais bodes continuam a atravancar os cômodos da casa. E sua bosta a se acumular em quartos, sala, cozinha, banheiro...

Mas, talvez, tudo tenha começado com a presença de um outro animal, que chegou antes desses bodes todos. Teria sido trazido pelos membros mais humildes da família. No início, muitos dos moradores mais finos não queriam aceitá-lo. Mas logo viram que, apesar de sua total falta de pedigree, o bicho teria muita utilidade.

O animal saltitava alegremente pela casa, recebendo o cafuné sincero de muitos e o carinho falso de poucos. Enquanto isso, medidas prejudiciais aos interesses da maioria pobre da casa puderam ser preparadas sem chamar a atenção. Quando, finalmente, estava tudo pronto para implementá-las, o simpático animal foi expulso a pontapés.

Foi, então, que chegaram os bodes fedidos. Do lado de fora, ficou o pobre bicho recém escorraçado.

É um sapo. E parece que tem barba.

Leia também: O Caixa 2 de olho no Caixa 1 da Previdência

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