quarta-feira, 29 de março de 2017

Eleanor Marx contra o bicho-papão da humanidade

Em 1886, Eleanor Marx viajou aos Estados Unidos a convite dos socialistas locais. Suas palestras costumavam se concentrar na defesa do feminismo socialista.

Mas em New Haven, falando para estudantes e professores da Universidade de Yale, Eleanor resolveu enfrentar o que sua biógrafa, Rachel Holmes, chamou de “bicho-papão da burguesia”: o fim da propriedade privada. Veja alguns trechos:

As pessoas temem que a abolição da propriedade privada signifique que ninguém mais possa dizer "meu casaco" ou "meu relógio", por exemplo. Mas é o oposto disso. Sob o socialismo, muita gente vai poder dizer "meu casaco" e "meu relógio" pela primeira vez. Ao mesmo tempo, mais ninguém vai dizer "minha fábrica" ou "minha terra". Acima de tudo, nenhuma pessoa poderá dizer, em relação ao outro, "minha mão de obra".

Na verdade, é a “classe capitalista” que fica com quase toda a propriedade privada. E é exatamente porque “acreditamos no ‘direito sagrado’ à propriedade que queremos que vocês possuam o que hoje lhes é tirado”.

Somos pelo fim da propriedade de todos os meios de produção. Mas isso não é abolir a propriedade privada. Isso significa dar propriedades aos milhões que hoje não têm nenhuma.

Um século e meio e muitas lutas depois, os bens pessoais já não são tão limitados. Mas a propriedade e o controle dos meios de produção nunca estiveram tão concentrados.

Trata-se de uma das previsões feitas pelo pai de Eleanor mais difíceis de contestar. E está entre aquelas que tornam tão justificável uma obsessão de Marx herdada por sua filha: jamais deixar de lutar pelo fim do capitalismo, este bicho-papão da humanidade.

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