5 de abril de 2018

A frente antifascista entre o veneno e o revólver

Muitos defensores da formação de uma ampla frente antifascista costumam citar Leon Trotsky. Principalmente, sua a crítica à desastrosa política stalinista dos anos 1930, que não fazia distinção entre os socialdemocratas e os nazistas alemães como inimigos dos trabalhadores.

Mas no artigo “Por uma Frente Única dos Trabalhadores contra o Fascismo”, de 1931, Trotsky afirma:

Nós, marxistas, consideramos [o liberal conservador] Brüning e Hitler (...) como partes componentes de um mesmo sistema. A questão de qual deles é o "mal menor" não tem sentido, pois o sistema contra o qual estamos lutando precisa de todos esses elementos. Mas esses elementos estão momentaneamente envolvidos em conflitos entre si e o partido do proletariado deve aproveitar esses conflitos no interesse da revolução (...). Quando um dos meus inimigos coloca diante de mim pequenas porções diárias de veneno e o segundo, por outro lado, está prestes a dar-me um tiro, devo, primeiro, arrancar o revólver da mão do meu segundo inimigo, pois isso me dá a oportunidade de me livrar do meu primeiro inimigo. Mas isso não significa que o veneno seja um "mal menor" em comparação com o revólver.

Aceita a metáfora, que forças desempenhariam o papel de revólver na atual situação nacional? Certamente, não é um partido fascista de massas, como o alemão. Mas não falta quem se candidate a segurar a pistola.

Por enquanto, porém, o mais provável é que tenhamos que priorizar a resistência às doses de veneno. E este vem sendo distribuído generosamente por setores da própria esquerda na forma de uma confiança cega numa institucionalidade militarizada e uma dependência suicida do calendário eleitoral.

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