sexta-feira, 27 de abril de 2018

O exército de trabalhadores e suas divisões

É costume dizer que Marx falhou completamente em sua previsão de que o desenvolvimento capitalista levaria a que a burguesia se visse cercada por uma grande e homogênea classe social: o proletariado. Tais críticas costumam traduzir proletariado por “classe operária”, quando a interpretação correta seria “classe trabalhadora”.

Mas no volume 3 de “O Capital”, Marx argumentou que mesmo essa grande classe trabalhadora está marcada por:

...uma hierarquia de forças de trabalho, à qual corresponde uma escala de salários (...). Ao lado das gradações da hierarquia, aparece a simples separação dos trabalhadores em qualificados e não qualificados.

De fato, em 1997 foi publicado um estudo sobre a estrutura de classes de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, Suécia, Noruega e Japão. Nele, Erik Olin Wright descobriu entre os setores que não possuem grandes meios de produção (fábricas, fazendas, supermercados etc.), três divisões com base nas habilidades (especialista, qualificado, não qualificado) e três baseados na autoridade (gerente, supervisor, sem autoridade). O resultado geral, portanto, foram nove frações internas à classe trabalhadora.

Os resultados correspondem ao que disse Marx em sua grande obra econômica:

Um exército industrial de trabalhadores sob o comando de um capitalista exige, como num exército normal, oficiais (gerentes) e sargentos (capatazes, supervisores) que comandam durante o trabalho o processo em nome da capital.

Ou seja, confirma-se não apenas a previsão marxista de que um imenso contingente de explorados cerca a burguesia por todos os lados. Mas, também que, infelizmente, as tropas desse exército continuam muito divididas.


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