26 de abril de 2018

Divagações sobre violência e história (final)

No Manifesto Comunista, de 1848, Marx e Engels descrevem uma das características marcantes da classe dominante capitalista:

A burguesia se encontra envolvida em uma batalha constante. No princípio, com a aristocracia; mais tarde, com aquelas frações da própria burguesia, cujos interesses se tornaram antagônicos ao progresso da indústria; o tempo todo, com a burguesia de países estrangeiros. Em todos esses países, ela se vê obrigada a apelar para o operariado, a pedir a sua ajuda, e arrasta-se assim para a arena política. Portanto, a burguesia fornece ao proletário as armas para lutar contra ela...

Em última análise, dizem Marx e Engels, a burguesia produz, acima de tudo, “seus próprios coveiros”.

Ou seja, os processos violentos que ocorrem entre os setores da burguesia devem ser aproveitados pelos de baixo para desorganizar a dominação dos de cima.

Nos anos seguintes, também ficaria claro que isso não significa de modo algum aliar-se a uma fração burguesa contra outra. Ainda que isso possa acontecer em situações muito específicas, como as de libertação de povos colonizados.

Em geral, situações revolucionárias somente se apresentam diante de crises violentas entre frações da classe dominante. Isso quer dizer que os “coveiros” com suas pás devem aguardar pacientemente ao lado das covas? Jamais.

Somente com a intensificação de suas lutas, os explorados e oprimidos podem aproveitar momentos em que há choques internos à burguesia. É preciso acelerar a luta contra os de cima e não freá-la para aguardar um desfecho favorável a setores dominantes supostamente mais progressistas. Isso seria levar a classe trabalhadora a caminhar sozinha rumo à sepultura.

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