9 de abril de 2018

Fim da “democracia racionada”?

A quinta vereadora mais votada da segunda maior cidade do País é executada. Ela era negra, feminista, homossexual, favelada e socialista. Muito provavelmente, foi esse perfil de Marielle que a transformou em alvo.

Lula foi preso, sob acusações muito menos graves que aquelas dirigidas a dezenas de outros governantes e parlamentares, incluindo o atual presidente da República.

Os direitos trabalhistas foram destruídos e os previdenciários estão na alça de mira, assim como a saúde pública. A maioria das propostas de reforma política em discussão no Congresso concentra-se na restrição à representação popular.

Fala-se em crise da Nova República. O arranjo que permitiu o retorno de eleições e liberdades políticas básicas estaria se esgotando. Enquanto isso, permanece firme o acordo que manteve intacto o aparato policial-militar da ditadura.

Talvez seja o caso de lembrar o conceito de “democracia racionada”, criado por Carlos Marighella para descrever:

...os regimes brasileiros que não são exatamente uma ditadura aberta, mas que também não se tornam democráticos. Assim, podemos definir a democracia racionada como uma forma semilegal em que a violência contra os pobres e os opositores se combina com ações autoritárias dentro da legalidade e os escassos direitos são distribuídos a conta gotas para os setores mais moderados da oposição.

Na última vez em que essa democracia à base de pequenas rações foi interrompida, uma brutal repressão empurrou alguns setores da esquerda para a luta armada e levou outros a mergulhar no trabalho de base clandestino. Aumentou ainda mais a violência contra os pobres, sob o pretexto de combater a desordem social.

Nossa democracia sempre foi um banquete para muito poucos.

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