quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Vida é biomassa. Vida é mercadoria

Estranha a preocupação dos manda-chuvas reunidos na COP-16 em relação à preservação das florestas. Uma entrevista com a pesquisadora Silvia Ribeiro para o Brasil de Fato ajuda a entender. Ela trabalha para a organização internacional Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração (ETC).

Silvia diz que trata-se de mais um passo para mercantilização da natureza. Segundo ela, quando os chefões do mundo pensam em florestas, não se trata de plantas, insetos, animais. Não é vida. É biomassa. Matéria prima para uma nova geração de combustíveis. A pesquisadora explica qual é a lógica:
Hoje, nós vivemos em uma civilização baseada no petróleo, não só para combustíveis, mas toda a agricultura está petrolizada, sejam nos agrotóxicos, nas embalagens, nos plásticos. E o petróleo é matéria orgânica, ou seja, carbono. São hidrocarbonetos que estiveram milhões de anos na terra, é uma energia condensada muito forte. Das cadeias de hidrocarbonetos fazem outros polímeros. Então, a idéia é usar os carboidratos (...), fermentá-los com açúcares e, assim, produzir os polímeros que se formam através do petróleo. E já estão fazendo combustíveis e plástico, por exemplo, com milho. Não deixarão de usar petróleo, porque as petroleiras são enormes empresas, vão seguir usando até que não haja mais e, além disso, vão usar biomassa como nova fonte.
Assim, a demanda de biomassa será enorme no futuro e isso significa demandas enormes de terra e água. De onde vão tirar? Vão tirar de onde estão os camponeses e indígenas. No Brasil isso é muito claro. O país já é um retalho: em um lado milho, em outro eucalipto, em outro soja etc.
É assustador, mas não passa do aprofundamento da lógica capitalista. Tudo se transforma em mercadoria. Como diz Silvia, “tudo é biomassa. Até nós”.

Leia a íntegra da entrevista aqui.

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