segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Revolta popular no centro do capitalismo

Marx achava que o socialismo só daria certo se começasse pelos países mais industrializados, como os europeus e os Estados Unidos. Neles as relações capitalistas estariam mais desenvolvidas, assim como suas contradições. E estas se tornam mais agudas em momentos de crise.

Além disso, Marx descobriu que o maior problema do capitalismo não é a miséria absoluta. Pior que ela, são a enorme desigualdade e o aumento da exploração gerados pelo sistema. Século e meio depois, muitos fatos dão razão ao revolucionário alemão.

É o caso da revolta que começa a se espalhar pelos Estados Unidos. O movimento “Ocupar Wall-Street” não reúne só miseráveis ou trabalhadores manuais. Ao contrário, são milhares de jovens com razoável formação profissional. Muitos deles, com nível superior.

E este é outro fenômeno previsto por Marx. O da formação de um trabalhador coletivo. Uma massa de pessoas formada para atender à produção capitalista. Intelectuais e peões igualados na condição de proletários. E com dificuldades parecidas em relação ao mercado de trabalho.

Muitos dizem que as reivindicações do movimento são pouco claras. Mas no jornal Página/12 de 07/10, Stephen Foley traduz o que seria o espírito do movimento:
...somos mais de 99% de norte-americanos comuns fora dos ganhos da economia da era pré-recessão, golpeadas pela crise e ignorados no dia a dia nos assuntos políticos que vão desde a educação até o meio ambiente e a guerra.
A frase resume as principais razões da revolta. “99%” virou símbolo do movimento. Indica a enorme concentração de riqueza e poder na maior potência mundial. O descontentamento com a política oficial desmascara um sistema eleitoral controlado pelo grande capital.

É cedo para esperar desfechos revolucionários. Mas é possível antecipar grandes transformações.

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