domingo, 30 de outubro de 2011

A fantástica fábrica de novelas

O jornal Valor de 28/10 lembrou os 60 anos de telenovela no Brasil. A primeira foi ao ar em dezembro de 1951, pela TV Tupi. Mas o destaque da reportagem foi a Globo, atual potência em termos de teledramaturgia no País. A matéria traz dados e informações impressionantes. Por exemplo:
...as roupas usadas nas tramas das telenovelas da Rede Globo nunca têm a aparência de que acabaram de sair da loja (...). [Elas] são lavadas com uma substância que tem tonalidade cinza, secadas e passadas para convencer o telespectador de que o figurino faz parte de um mundo real, palpável e próximo.
A produção cenográfica também é espantosa. A reportagem cita a Galeria do Rock, que fica na capital paulista e é cenário da novela "Tempos Modernos":
Muita gente queria saber em que horário eram feitas as gravações - nas madrugadas ou aos domingos? Nada disso. A cenografia construiu uma réplica do centro comercial alternativo paulistano. Absolutamente todas as fachadas das lojas foram reproduzidas, com seus acervos de discos, camisetas, sapatos etc.
Alguns números:
- O principal estúdio da emissora é o Projac, que ocupa uma área de 1,65 milhão de metros quadrados.

- 6,5 mil pessoas circulam diariamente pelo Projac. Destas, cerca 6 mil são funcionários, prestadores de serviço, atores e figurantes.

- Todas as etapas de produção são integradas - pré-produção, gravação, pós-produção e atividades de infraestrutura - e resultam todo ano em 2,5 mil horas de programação - equivalentes a cerca de 1,2 mil filmes em longa-metragem.

- Cada novela conta com 160 cenários de estúdio, refeitos três vezes, o que dá um total de 480 unidades.

- Só em 2009, foram produzidas 60 mil peças cenográficas, entre elas 17 cidades. O acervo de figurinos soma 280 mil peças.

- Cada capítulo custa cerca de R$ 450 mil. Ao multiplicar por 180, chega-se a um custo de de R$ 81 milhões.

- Estima-se que o faturamento no horário das 21 horas chegue a R$ 300 milhões, sem contar a venda de novelas para outros países, como Portugal.
Como se vê, tanto investimento dá lucro. Ao mesmo tempo, a emissora funciona como um poderoso aparelho privado de hegemonia a favor da ordem. Fazendo cabeças com muita competência.

Por outro lado, trata-se de uma verdadeira fábrica, com um exército de trabalhadores. Já pensou uma greve? Ia ser um drama e tanto!

Leia texto de 2005 sobre o tema: Aos 40 anos, a Globo quer ser a senhora do destino

Leia também: Trabalhe de graça pra Globo

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