segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O leninismo de Gramsci

É costume opor Gramsci ao leninismo. O marxista italiano teria mostrado que os caminhos da revolução na Europa Ocidental seriam opostos aos que defendia Lênin. Afinal, o revolucionário russo vivia em um país sem instituições democráticas e organizações populares e operárias fortes.

Mas Lênin nunca ignorou isso. É o que mostra o marxista inglês Chris Bambery no texto “Hegemony and revolutionary strategy”. Segundo Bambery, Lênin teria dito que na:
...Europa Ocidental será muito mais difícil começar a revolução proletária do que foi na Rússia. Mas será muito mais fácil mantê-la e concluí-la.
Uma conclusão que necessariamente levaria a caminhos táticos diversos daqueles que Lênin defendeu para a Rússia. Por outro lado, tal situação não obrigou Gramsci a abandonar o leninismo. Ao contrário do que o stalinismo e a direita dizem, Lênin não era um líder inflexível.

O revolucionário russo não hesitava em abandonar seus pontos de vista caso se mostrassem equivocados. E fez isso várias vezes em sua vida política. Quando Gramsci se voltou para a tarefa de pensar a revolução na Europa usou essa flexibilidade para fazê-lo.

Mas em seus escritos políticos do período de 1921 a 1926, Gramsci reafirmou como tarefas principais do partido comunista:
a) organizar e unificar o proletariado industrial e rural; b) organizar e mobilizar em torno do proletariado as forças necessárias para a vitória da revolução e a fundação do Estado dos trabalhadores; c) colocar para os proletários e seus aliados a questão da insurreição contra o Estado burguês e a luta pela ditadura do proletariado, e guiá-los política e materialmente rumo à sua solução, através de uma série de lutas parciais.
Alguns podem dizer que tais posições são anteriores à vitória fascista que esmagou os comunistas. Situação que teria levado Gramsci a abandonar o leninismo.

A isso Bambery responde com o famoso artigo “As antinomias de Antônio Grasmsci”, de Perry Anderson, de 1976. O texto lembra que a ditadura do proletariado e a derrubada violenta do Estado burguês sempre foram centrais para o leninismo. E que tais princípios:
... nunca foram questionados por Gramsci. Pelo contrário, quando começou a sistematizar sua teoria na prisão, ele parece tê-los assumido como tão evidentes que mal se deu ao trabalho de citá-los.
Ou seja, Gramsci renovou dialeticamente Lênin, tal como este fez com Marx. Todos a serviço da luta dos trabalhadores.

O texto que traz as citações acima pode ser acessado na íntegra, em inglês, aqui.

Leia também: Gramsci leninista

3 comentários:

  1. Tarefas do Partido Comunista:
    a) organizar e unificar o proletariado industrial e rural;
    O Século XXI o desemprego estrutural, a terceirização e a privatização do neoliberalismo em crise. Tende a aprofundar ainda mais e aumentar distância entre o campo e a cidade.
    A fragmentação por diferenças de categoria no Brasil parece dificultar a unidade da classe trabalhadora. O que se faz é a partir da elite.
    b) organizar e mobilizar em torno do proletariado as forças necessárias para a vitória da revolução e a fundação do Estado dos trabalhadores;
    A dificuldade de unificar os trabalhadores devido à democracia burguesa que fragmenta os trabalhadores em diversos partidos de centro esquerda (democratas e social democracia) e esquerda (socialistas e comunistas)
    c) colocar para os proletários e seus aliados a questão da insurreição contra o Estado burguês e a luta pela ditadura do proletariado, e guiá-los política e materialmente rumo à sua solução, através de uma série de lutas parciais.
    A crítica ao anarquismo no inicio do século 20 era a sua ação prática que ficava apenas na questão imediata e econômica. Hoje o que chamamos de sindicalismo de resultado está engessado em um sindicato de algumas conquistas em detrimento a perdas de direitos sociais. A fragmentação em categoria dificulta uma ação revolucionária de classe.

    Perguntas: Como¿ Onde¿ quando¿

    A única resposta que temos é que estamos pelos trabalhadores e excluídos da sociedade capitalista.

    De boa intenção o inferno está cheio!!!!

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  2. Concordo, Osní. Estamos pelos trabalhadores e excluídos da sociedade capitalista. Não é garantia de encontrarmos a resposta, mas é a melhor aposta.
    Abraço!

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  3. http://conceitosprovocacoes.blogspot.com/2011/12/quando-se-perde-o-sentido-estilista.html

    Analisar o que perdeu o sentido, como se perdeu e encontrar uma saída para esse problema.

    Na mídia temos algumas pistas, mas é preciso ver como estamos fazendo para melhorar.

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