domingo, 4 de dezembro de 2011

Sócrates brasileiro

"Ao tocar de calcanhar o nosso fraco, a nossa dor / Viu um lance no vazio, herói civilizador". É assim que um samba de José Miguel Wisnik, professor talentoso, compositor refinado e santista convicto, homenageia o “doutor”.

Mas nada melhor que lembrar algumas frases ditas pelo próprio Sócrates:
Perguntaram a Fidel se as universitárias cubanas estavam se prostituindo. Ele respondeu: “Não sei. Mas com certeza todas as prostitutas cubanas têm nível superior”. Não estou nem querendo isso. Só peço segundo grau completo.
Em entrevista, defendendo a obrigatoriedade de escolaridade de segundo grau para os jogadores de futebol - CartaCapital nº 152

A manipulação dos resultados de alguns jogos do Campeonato Brasileiro tirou dos manos não só a calma como também a única riqueza que podiam ter em mãos. Tirou o sonho e roubou a alegria simples e corriqueira de quem pouco pode sorrir. Desencadeou uma corrente de agonia que explode nas ruas e nos campos de futebol como uma forma de demonstrar que esse povo está vivo. Pouco articulado, mas vivo. E que um dia, não tenham dúvidas, há de lutar por alicerces mais resistentes para a sua existência. É, os manos estão se matando, mas, no fundo, estão mesmo é buscando uma brecha de cidadania em que possam se apoiar. Na verdade, eles estão sangrando. E muito.
Sobre brigas de torcidas após as denúncias envolvendo fraudes no futebol – CartaCapital - 02 de Novembro de 2005

Se temos de aplaudir alguém, são os nossos abnegados atletas. Muitos vivem, treinam, vestem-se e alimentam-se com pouco mais de um salário mínimo por mês.
Sobre os jogos panamericanos do Brasil – CartaCapital – 26/07/2007

Uma coisa é Copa do Mundo, outra coisa é o futebol. Futebol é essência. É o exercício dessa prática. Outra coisa é a Copa, que é um negócio, onde tem um monte de ladrão roubando dinheiro.
Brasil de Fato – novembro de 2007

É que neste país nada mobiliza e agrega mais que o futebol e poderá ser por meio dele que teremos os exemplos que determinarão os caminhos que devemos seguir para transformar nossa sociedade em algo mais humano e da qual possamos nos orgulhar.
CartaCapital – 13/03/2009

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