quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A nova classe média é a velha classe trabalhadora

Vira e mexe, a chamada nova classe média aparece em jornais, debates ou conversas informais. É a tal classe C em expansão. Não é para menos. A Fundação Getúlio Vargas diz que ela representa 55% da população brasileira. Ou pouco mais de 100 milhões de habitantes. É muita gente. Mas um pouco de rigor teórico é importante.

Foi o que procurou fazer a filósofa Marilena Chauí em palestra para o 1º Ciclo de Debates do Fórum Direitos e Cidadania, realizado em julho passado no Palácio do Planalto. Com o tema “Classe Média: como desatar o nó?” a professora falou a um público que, talvez, faça pouco ou nenhum uso de suas conclusões.

De acordo com Marilena Chauí, “a distribuição das classes pela sociologia e pelos institutos de pesquisa de mercado se faz com base na renda, na propriedade de bens imóveis e móveis, na escolaridade e na ocupação ou profissão”. Entretanto, diz ela, “há outra maneira de analisar a divisão social das classes. Aquela que se originou com o marxismo”.

Na opinião da filósofa, é costume identificar os segmentos da classe média como sendo aqueles ligados à ciência e à técnica. “Hoje, porém” diz ela:
...com a revolução eletrônica e a informática, as ciências e as técnicas tornaram-se parte essencial das forças produtivas e por isso cientistas, técnicos e intelectuais passaram da classe média à classe trabalhadora. Dessa maneira, renda, propriedades e escolaridade não são critérios para distinguir entre os membros da classe trabalhadora e os da classe média.
Ou seja, diminuição da pobreza e aumento do consumo podem levar ao conformismo e ao individualismo. Mas também significa mais gente em contato com as contradições do capitalismo. É o que mostram, por exemplo, as mobilizações em várias partes do mundo. Com grande participação de universitários, diplomados e profissionais especializados.

“Proletários, uni-vos!” continua valendo.

Leia também: Diplomados e conectados, uni-vos!

3 comentários:

  1. http://conceitosprovocacoes.blogspot.com/2010/12/segregacao-de-classe-social.html
    1 comentários:

    Cristiano Bodart disse...

    Para tratar dessa "naturalização" do fracaço,prefiro recorrer a explicação de Bourdieu, o qual se apropria do conceito de capital cultural para explicar essa realidade. Inclusive, o próprio Jessé Souza a utiliza em seu livro "A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA SUBCIDADANIA"

    Sua explicação eu já apresentei em meu blog
    http://cafecomsociologia.blogspot.com/2010/10/construcao-social-da-subcidadania-jesse.html
    5 de janeiro de 2011 02:11

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  2. Voce quer dizer que são outras maneiras diferentes de se obter mais valia, que não na produção seriada? Ou que sempre existiuas q ganhou importância maior para a produção de riqueza?

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  3. Não, necessariamente. Uma coisa é vender a força de trabalho, algo comum a todos os proletários. Outra é que tal venda resulte em mais-valia, o que só aconteceria em certas atividades. Mas isso não quer dizer que somente em atividades materiais, de transformação etc. Marx mesmo usa o exemplo de uma cantora que gera mais-valia ao cantar para um empresário. Tem algo sobre isso na pílula: http://pilulas-diarias.blogspot.com/2011/08/todo-apoio-greve-dos-milionarios.html
    Do ponto de vista político, essa diferença pode pesar em situações específicas. Como em greves. Paralisações em setores que geram mais-valia costumam ser mais danosas aos patrões do que em outras. Mas isso não pode ser aceito como uma lei de ferro.
    Beijo!

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