quarta-feira, 17 de julho de 2013

A Casa Grande ainda massacra

Diego Viana publicou a seguinte passagem de “Casa Grande e Senzala”, de Gilberto Freyre, em seu blog:

É natural que na noção de propriedade como na de outros valores, morais e materiais, inclusive o da vida humana, seja ainda o Brasil um campo de conflito entre antagonismos os mais violentos. No tocante à propriedade, para nos fixarmos nesse ponto, entre o comunismo do ameríndio e a noção de propriedade privada do europeu. Entre o descendente do índio comunista, quase sem noção de posse individual, e o descendente do português particularista que até princípios do século XIX viveu, entre alarmes de corsários e ladrões, a enterrar dinheiro em botija, a esconder bens e valores em subterrâneos, a cercar-se de muros de pedra e estes, ainda por cima, ouriçados de cacos de vidro contra os gatunos.

“Dilma cede à pressão dos ruralistas e rifa os direitos indígenas”, disse a antropóloga Manuela Carneiro da Cunha à Folha de São Paulo, em 14/07. Ela referia-se a um projeto de lei patrocinado pelo governo que permitiria o uso de terras indígenas para diversas finalidades, da construção de hidrelétricas à mineração.

O governo que finge ouvir os gritos das ruas continua surdo aos povos das florestas. É o “comunismo do ameríndio” esmagado pela “propriedade privada do europeu”. Mas Freyre não citou os negros, que o cativeiro tornou propriedade por séculos. A ordem dominante já não os escraviza, livra-se deles: “Homem, negro de 15 e 29 anos. Esta é a descrição da principal vítima de homicídios no País”. Este é o título de matéria da Agência Brasil, publicada em 13/07.

Leia também: Reintegração de posse para os índios, já!

Nenhum comentário:

Postar um comentário