quarta-feira, 10 de julho de 2013

Espionar trabalhadores pode

As manchetes dos jornais foram tomadas pelo escândalo da espionagem dos Estados Unidos.

“Brasil monta grupo de trabalho para investigar espionagem dos EUA". “Analistas: espionagem abala, mas não arrisca relação Brasil-EUA". “Parlamentares querem explicações sobre espionagem dos EUA”. “Governo anuncia grupo de trabalho sobre espionagem dos EUA”. “Senadores querem abertura de CPI sobre espionagem dos Estados Unidos".

Mas não apareceu nenhuma manchete como esta: “Vale utiliza arapongas da ditadura para espionar”. A denúncia foi feita Lúcio Flávio Pinto, no site Cartas da Amazônia em 07/07. Segundo o jornalista, a segunda maior mineradora do mundo tem “nos seus arquivos prontuários de pessoas que lhe interessam, incomodam ou são seus inimigos”. E o servicinho sujo é feito por “ex-agentes do serviço de informações do governo, novos ou mais antigos, remanescentes da era do SNI e integrantes da Abin”.

Governos e parlamentares também não deram muita atenção à matéria do Estadão sobre espionagem da Abin no Porto de Suape, Pernambuco, publicada em abril. Ninguém se mexeu nos altos escalões quando movimentos sociais denunciaram ações de espionagem cometidas pelas construtoras da usina de Belo Monte e pela Abin em Altamira, Pará. A operação vergonhosa foi descoberta em fevereiro e teve como alvo o Movimento Xingu Vivo, que luta contra a obra.

Pode-se argumentar que o caso dos Estados Unidos envolve soberania e segurança nacional. Mas o Estado brasileiro não só não garante a segurança e a soberania do povo trabalhador, como se junta ao Capital para atacá-las.

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