terça-feira, 30 de julho de 2013

O Papa sabonete

Em artigo publicado na Folha em 29/07, Reinaldo José Lopes avisa: “Francisco muda ênfase, mas não conteúdo de doutrina sobre gays”. Ele refere-se à aparente tolerância do novo Papa em relação à homossexualidade. Para Lopes:

...a rigor, não há nada de inovador em Francisco afirmar que é preciso acolher as pessoas com "tendências" homossexuais e, inclusive, citar o Catecismo da Igreja Católica, o guia doutrinal máximo do catolicismo, a esse respeito. É o que os últimos papas ou seus "czares" doutrinais, os chefes da Congregação para a Doutrina da Fé, têm dito reiteradas vezes.

Outra reportagem, do mesmo dia, destaca a grande habilidade política do novo papa. Trata-se de entrevista com o jornalista Marco Politi, um dos vaticanistas mais respeitados de Roma. No depoimento publicado pelo Globo, ele diz:

É um Papa político. Na composição do conselho de oito cardeais (que vai propor uma reforma da Cúria Romana) ele escolheu todas as correntes da Igreja: tem progressista como Oscar Andrés Maradiaga (cardeal-arcebispo de Honduras), mas também o cardeal conservador George Pell, da Australia, e um centrista ligado à Ratzinger, como o cardeal Reinhard Marx (da Alemanha). O Papa poderá sempre justificar decisões dizendo: foram tomadas por todos.

Para resumir o que pensa sobre Bergoglio, o entrevistado afirma: “é o Papa não-Papa, que interpreta muito bem a situação de crise do mundo contemporâneo”.

Em tempos que viram a ascensão de Lula e Obama ao governo, é possível alinhar Francisco às figuras históricas que facilitam a vida dos poderosos. São os famosos e populares “sabonetes” da alta política mundial.

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