terça-feira, 2 de julho de 2013

Reforma política e redução da jornada

A reforma política está sendo apontada como grande resposta à onda de manifestações nas ruas do País. Não à toa, grande mídia e governantes agarram-se a esta proposta para tentar acalmar a ira popular.

Mas a corrupção e incompetência dos políticos profissionais são mais efeito que causa dos problemas sociais que vivemos. O isolamento dos eleitos em relação aos que os elegeram tem raízes mais antigas do que parece.

A democracia da Grécia Antiga é considerada exemplo a ser seguido. Mas ela só era possível graças ao trabalho escravo. Enquanto a maioria trabalhava duro de sol a sol, uma minoria ficava à sombra, dedicando muitas horas do dia a aprovar leis e trocar ideias. Tudo era motivo de debate, menos o fim da escravidão, claro.

Atualmente, quase já não há trabalho servil. Mas os efeitos são muito parecidos. Dezenas de milhões de pessoas trabalham 10h, 12h por dia, enquanto algumas centenas decidem seu destino. Uns mal conseguem repousar e se alimentar. Aos outros sobra tempo para tomar decisões que mantém o conforto dos ricos e poderosos que os financiam.

Várias centrais sindicais do País estão convocando o Dia Nacional de Luta, com mobilizações e greves para 11 de julho. Apesar de seu jeitão oficial, há entre suas exigências uma reivindicação bem mais importante que a reforma política. É a redução da jornada de trabalho.

Menos horas de trabalho significam menos exploração e mais tempo para descansar, estudar e se organizar. E para fazer a política que assusta os poderosos. Eis por que desde o século 19, a classe trabalhadora luta pela redução da jornada.

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