segunda-feira, 22 de julho de 2013

O rebanho se afasta dos lobos vestidos de pastores

É possível ser católico e ser favorável à liberdade sexual ou ao direito ao aborto? Claro que sim. Mas não é o que parece quando um evento como a Jornada Mundial da Juventude é monopolizado pelo conservadorismo religioso e pela mídia empresarial.

Felizmente, há veículos da imprensa que dão espaço a vozes discordantes. Em 16/07, Carta Capital entrevistou Maria José Nunes. Ela é presidente da ONG “Católicas pelo Direito de Decidir” (CDD), que defende o direito ao aborto. Um trecho do depoimento deixa bem claro o que pensa a organização sobre o atual papa:

Francisco é um papa muito mais midiático que Ratzinger, que era duro e intelectual. É uma figura que vem a calhar para a Igreja neste momento, mas que significa a manutenção e o aprofundamento do conservadorismo doutrinal.

E, ao contrário do que parece, este conservadorismo não combina com o que pensa a maioria dos jovens católicos. É o que mostra uma pesquisa feita pelo Ibope a pedido da própria CDD.

Alguns exemplos: a pílula do dia seguinte, para evitar gravidez, é aprovada por 82% dos católicos entre 16 e 29 anos. A criminalização do aborto é condenada por 62% deles. A união homoafetiva é apoiada por 56%. Para 90% da juventude católica, religiosos envolvidos em pedofilia devem ser punidos, 72% aprovam o fim do celibato e 62%, a ordenação de mulheres.

Enquanto isso, pesquisa do Datafolha indica declínio do catolicismo no Brasil. Em 1994, 75% dos brasileiros se declararam católicos. Em 2013, são 57%. O rebanho se afasta cada vez mais dos lobos que acreditava serem seus pastores.

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