quarta-feira, 17 de julho de 2013

Os servos chineses e seus coveiros

Em 10/07, Martin Wolf publicou o artigo “A China não vai comprar o mundo” no Valor Econômico. O texto traz vários dados interessantes. Mas os mais importantes são aqueles que dão sentido ao título do artigo.

Basicamente, Wolf cita informações de Peter Nolan, professor de desenvolvimento chinês da Universidade de Cambridge. Nolan diz que “estamos dentro da China, mas a China não está dentro de nós”. A frase procura desmistificar a ideia de que o gigante asiático caminha a passos largos para engolir o mundo.

O fato é que os maiores beneficiados pelo enorme crescimento econômico chinês estão fora de seu território. Vejamos os números que o professor apresenta:

Entre 2007 e 2009, empresas com investimentos estrangeiros foram responsáveis por 28% do valor agregado industrial da China; 66% de sua produção em setores de alta tecnologia; 55% de suas exportações; e 90% das exportações de produtos de alta tecnologia ou de novas tecnologias.

Ainda segundo Nolan, em 2012, circularam pelo mundo US$ 23,6 trilhões em investimentos externos diretos. Mas apenas os Estados Unidos foram responsáveis por US$ 5,2 trilhões desse total. Dez vezes mais que os US$ 509 bilhões chineses.

Tudo isso mostra que a China é antes de tudo uma planta industrial que bombeia lucros para o capitalismo ocidental. Seu aparente sucesso deve-se à vergonhosa entrega do gigantesco operariado do país à ganância das corporações internacionais. Centenas de milhões de mulheres e homens sacrificados no altar do capitalismo global.

Que essa vergonhosa exploração transforme os trabalhadores chineses nos coveiros de seus governantes, fiéis servos de capitalistas do mundo todo.

Leia também: As manifestações de junho e a China

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