quinta-feira, 2 de julho de 2015

A crise grega é política

A terrível crise por que passa a Grécia é tratada pelos poderosos financistas da Europa como um problema técnico. Bastaria ao país adotar as medidas recomendadas por eles para sair do atoleiro. Qualquer coisa diferente é ideologia e politicagem, ainda que parta de um governo legitimamente eleito.

Este discurso é repetido pela grande imprensa e especialistas neoliberais. Entre estes últimos está Carlos Langoni, diretor do Centro de Economia Mundial da Fundação Getúlio Vargas. Na edição do Globo de 02/07, ele deu uma entrevista sobre a crise grega.

Referindo-se ao plebiscito sobre a aceitação das medidas profundamente injustas e penosas que os credores querem impor ao país, Langoni diz que “se o Syriza perder o plebiscito, as condições de um governo mais conservador vão viabilizar a mesma proposta de agora”.

Ou seja, as medidas apresentadas pelos atuais dirigentes gregos seriam aceitas se não viessem de um governo de esquerda cuja eleição se apoiou em enorme mobilização popular. Como se vê, são os neoliberais que se apoiam em politicagem e ideologia barata.

A atitude lembra o posicionamento Henry Kissinger quando era Secretário de Estado do governo Nixon. Ao justificar a derrubada de Allende no Chile, ele afirmou: “Não vejo por que temos de ficar parados enquanto um país se torna comunista pela irresponsabilidade de seu povo”.

Agora, como antes, a democracia é apenas um detalhe.

Qualquer que seja o resultado do plebiscito grego, o cenário ficará ainda mais politizado e ideologizado. Diante de um novo governo conservador ou do atual, reforçado, caberá aos movimentos e partidos de esquerda defender nas ruas a democracia que nelas construíram.

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