quarta-feira, 8 de julho de 2015

As coerências da redução salarial

Luigi Nesse é membro do Codefat, órgão responsável pela gestão do Fundo de Amparo ao Trabalhador, formado por contribuições dos trabalhadores. É deste fundo que vai sair o dinheiro para o Plano de Proteção ao Emprego, criado pelo governo Dilma.

O plano compensará parte do salário que os trabalhadores deixarão de receber caso seus patrões aceitem reduzir sua jornada para evitar demiti-los.

Nesse não gostou da proposta, diz matéria do Estadão de 08/07. Afirma que ela foi feita sob encomenda para o setor automotivo, velho queridinho da cúpula petista no governo.

Nesse é empresário e representa o ramo de serviços. Pode estar interessado em verbas para seu setor. Mas argumenta com propriedade quando lembra que o conselho acaba de aprovar o adiamento da metade do pagamento do abono salarial devido a trabalhadores para o ano que vem.

Com a decisão, cerca de 4 milhões de trabalhadores receberão o benefício deste ano só em 2016. “Se não tinha condição para pagar o abono, também não tem condições para pagar esse benefício. Não tem coerência”, afirma o empresário.

Mas há outras incoerências não citadas por Nesse. Por que dinheiro público retirado dos trabalhadores irá para o bolso de empresários quando a parte mais poderosa deles ficou devendo R$ 500 bilhões em impostos só em 2014, sem falar nos outros R$ 500 bilhões investigados pela Operação Zelotes?

Não tem muito sentido falar em incoerência, porém. Os governos petistas são tão submissos quanto seus antecessores quando se trata dos interesses dos mega-patrões. E, coerentemente, sindicalistas pelegos, antigos e recentes, apoiam a medida. Incoerência, mesmo, só a do empresário indignado.

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