segunda-feira, 20 de julho de 2015

Prisões e quartéis como escolas do crime

Os especialistas em segurança costumam dizer que os presídios do País são escolas do crime. Muitos do que são contra a redução da maioridade penal apontam essa realidade para dizer que crianças e adolescentes vão ser expostos facilmente a estes cursos intensivos de brutalidade.

Mas há um outro tipo importante de escola do crime, tão brutalizadora como aquelas, mas menos lembrada. São as polícias militares. Pelo menos é o que se deduz do livro "Como nascem os monstros", escrito por Rodrigo Nogueira.

Ex-soldado da PM, Nogueira está preso na penitenciária Bangu 6, Rio de Janeiro, desde 2009. A sentença que o condenou diz que ele manteve “uma vendedora em cárcere privado por quatro horas, onde ela foi agredida e constrangida a praticar atos libidinosos antes de ser atingida por um tiro de fuzil no rosto”.

Em entrevista à Agência Pública, publicada em 20/07, ele deixou bastante claro que aprendeu a cometer tais barbaridades dentro dos quartéis:
 
Posso garantir que, ao ingressar na corporação, ninguém acredita que um dia vai sequestrar alguém, roubar seu dinheiro, matar essa pessoa e atear fogo ao corpo.

Expostos a treinamento de guerra, estes soldados passam por treinamentos violentos para aprenderem a ser violentos. Principalmente, com pobres. Como diz o entrevistado, “preto e pobre correndo na favela é bala. Depois a gente vê o que é.”

É assim que as prisões, transformadas em unidades de especialização criminal, encontram nas casernas policiais seu espelho quase perfeito. Ambas vivem do crime e o realimentam. Dos dois lados, uma maioria formada por pobre e pretos. Uns fardados, outros não. Todos fodidos.

Leia a íntegra da entrevista,
aqui.

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