quarta-feira, 8 de junho de 2016

Corrupção e moralidade burguesa

Em 22/05, Erica Fraga publicou “Estudos revelam como a corrupção prospera e funciona”, na Folha. A matéria apresenta resultados de diversos estudos sobre corrupção feitos no Brasil e no exterior.

No caso brasileiro, destacam-se dois levantamentos. O primeiro, dos pesquisadores da FGV-Rio, Carlos Pereira, Lucia Barros e Rafael Goldszmidt, realizada entre o primeiro e o segundo turno da eleição presidencial de 2014.

Um grupo escolheu entre dois candidatos fictícios em um segundo turno eleitoral. Um deles com um perfil mais à direita. O outro, mais à esquerda. Definidos os votos, foi revelado que o candidato escolhido era corrupto. Houve uma tendência maior à manutenção do voto entre os eleitores de direita.

O outro estudo foi feito por Miguel Figueiredo, Daniel Hidalgo e Yuri Kasahara durante as eleições municipais de São Paulo, em 2012. Concorriam Gilberto Kassab, identificado com a direita, e Marta Suplicy, tida como de esquerda. Ambos foram denunciados por corrupção, mas somente Marta perdeu votos do grupo pesquisado por causa disso.

As conclusões mostram o que Marx e Engels já denunciavam em “A ideologia alemã”, no século 19. Referindo-se à “atitude do burguês para com as instituições de seu regime”, os autores afirmam que:

...ele as transgride sempre que isso é possível em cada caso particular, mas quer que todos os outros as observem (...). Essa relação do burguês com suas condições de existência adquire uma de suas formas universais na moralidade burguesa.

Mas cuidado. Trata-se de uma lógica social. O que nos torna todos um pouco burgueses, um pouco canalhas é o sistema do capital. É ele o principal alvo de nosso combate.

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