quarta-feira, 29 de junho de 2016

Nas plantações, feijão é assunto do momento

“As plantas podem ver e cheirar”, disse o geneticista israelense Daniel Chamovitz, em entrevista ao Globo, publicada em 28/06.

Quando, por exemplo, “uma árvore está sendo atacada por uma praga, afirma Chamovitz, a árvore vizinha vai sentir e, assim, pode preparar seus componentes químicos para lutar contra os invasores”.

Também é possível que “um galho da árvore atacada esteja falando com outro”, e uma planta próxima esteja “só pegando a conversa”, garante o entrevistado.

Neste caso, podemos imaginar qual seria o tema das conversas entre dois pés de soja, hoje em dia:

- Você viu como aumentou o preço do feijão?
- Sim. Mais de 16%, segundo o IPCA-15.
- Foram as safras. A primeira caiu 14% e a segunda, 21%.
- Não foi só isso. A área plantada vem despencando. Em 2014, a área plantada foi 2 milhões de hectares menor que em 1995. E adivinha o que foi plantado no lugar do feijão?
- Essa é fácil. Fomos nós, né?
- Nós, mais milho e cana. Recebemos todos juntos 73% dos recursos dos programas governamentais para a safra 2015/2016. Enquanto isso, arroz, mandioca e feijão receberam só 5%.
- Mas calma. O governo vai importar feijão da Argentina, Bolívia e Uruguai. E, talvez, até do México e da China. Afinal, quem está no Ministério da Agricultura é o Blairo Maggi.
- Sim. Ele não é nosso rei à toa. Há décadas, manda e desmanda na agricultura do País.
- Pra nós, tá tudo bem. O resto é que tá na mer...
- Opa, lá vem a colheitadeira! Adeus!
- Ade...

Obs.: Os números acima estão na reportagem de Nadine Nascimento, publicada no portal do MST, em 27/06.

Leia também:

Nenhum comentário:

Postar um comentário