quinta-feira, 16 de junho de 2016

Mãe, só tem uma. Ou duas. Ou dez...

Uma das funções das Ciências Sociais é desmascarar a naturalidade e a fixidez da vida social. Nada nas relações humanas é necessário e imutável. Tudo é produto das ações humanas. Portanto, está ao nosso alcance mudar as condições que criam situações de injustiça social.

É por isso que as Ciências Sociais costumam ser tão antipáticas aos poderosos.

A ideia de maternidade natural, por exemplo, parece algo incontestável. Mas não é. É o que mostra o artigo "Conceito de mãe é amplo para indígenas", de Izabel Santos, publicado no portal Amazônia.

O texto cita o antropólogo da Universidade Federal do Amazonas, Carlos Machado. Segundo ele, "a ideia de mãe” é mais nossa que dos indígenas. Para muitos desses povos, a mãe é uma figura difusa. Existe a gestação, o nascimento, o aleitamento, claro. Mas passada estas fases, as funções maternas vão além da genitora.

Machado afirma que o papel da mãe:

...é quase uma coisa genérica. Para se ter uma ideia, em alguns povos, o termo usado para mãe é o mesmo usado para a irmã da mãe. Assim, se a criança tiver nove tias, na verdade ela tem dez mães.

Mas isso seria melhor ou pior que nossa tradição parental? Depende. Em geral, nossa sociedade individualiza a função materna nas mulheres para transformá-las em “escravas do lar”, acorrentadas a uma pretensa vocação natural para a procriação.

É uma das principais justificativas não apenas para a imposição de jornadas de trabalho exaustivas às mulheres, mas para todo tipo de violência física e simbólica. É preciso ser mãe amorosa, profissional exemplar, bonita e feliz. Padecer, só no paraíso.

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