domingo, 26 de junho de 2016

O Brexit e a revolta dos gatos magros

Em 05/01, João Pedro Caleiro descreveu a desigualdade de renda entre os britânicos no portal “Exame.com”:

Até o final da primeira terça-feira de 2016, os maiores executivos do Reino Unido terão ganhado mais dinheiro do que o trabalhador britânico típico em um ano inteiro.

Esta situação, certamente, ajuda a esclarecer o que está por trás da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), decidida em referendo popular.

É verdade que racismo, conservadorismo e xenofobia contribuíram para a decisão. Mas foram os efeitos de uma crise econômica que poupa apenas uma pequena minoria que os turbinou. Principalmente, porque muitos enxergam no autoritarismo econômico da cúpula europeia as raízes de tanta injustiça social.

A vitória do chamado Brexit (Bretanha + exit) assusta a esquerda, claro. Mas aos neoliberais também. E o que os preocupa não é o avanço da extrema-direita. São as brechas que a decisão abriu na armadura econômica neoliberal.

O ultraliberal David Cameron só convocou o referendo para se manter na liderança de seu partido. Ou seja, o problema surgiu na esfera política. Um domínio que os neoliberais só respeitam desde que sua vontade nunca seja desrespeitada.

A cúpula da UE deu uma banana para o referendo em que o povo grego se rebelou contra suas exigências de austeridade econômica. Não fará o mesmo com a consulta popular britânica. Essas contradições podem contribuir para abalar os automatismos econômicos neoliberais.

Aquela primeira terça-feira do ano é conhecida na Inglaterra como o Dia do Gato Gordo. Uma referência popular aos muito ricos. O bichano continua obeso. Mas, certamente, está assustado com a inquietação entre os gatos magros.

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