terça-feira, 19 de setembro de 2017

O “Trem das Onze” de Lênin

Quando a Revolução de Fevereiro estourou, Lênin e várias lideranças bolcheviques estavam exilados na Suíça. Era preciso voltar imediatamente à Rússia.

Mas as fronteiras europeias estavam trancadas pela guerra mundial. Como o conflito opunha russos e alemães, a estes últimos interessava colocar os bolcheviques na Rússia para desestabilizar seu governo.

Lênin, porém, pensava de modo diferente: "A liderança revolucionária bolchevique é muito mais perigosa para o poder e o capitalismo dos alemães que o governo provisório de Kerensky".

Foi assim que, determinados a derrotar tanto a burguesia russa como a alemã, os bolcheviques embarcaram num trem alemão blindado, que saiu da Suíça, atravessou Alemanha, Suécia e Finlândia, chegando a Petrogrado em abril de 1917.

Vitoriosa a Revolução de Outubro, foi assinado o tratado de paz com a Alemanha, impondo pesadas perdas territoriais aos russos. Mas era um preço baixo a pagar pelo fim da guerra. Vidas valem muito mais que terras.

Na sua “História da Revolução Russa”, Trotsky cita palavras do poderoso general alemão Ludendorff sobre a decisão de permitir o retorno de Lênin à Rússia: "Jamais poderia supor que isso se transformaria no túmulo de nossas pretensões".

Por outro lado, parte importante das expectativas de Lênin foi frustrada. A revolução russa mostraria o caminho para a revolução alemã. E esta seria fundamental na defesa daquela.

Para ele e Trotsky, se não ocorressem revoluções na Europa ocidental, o futuro da Rússia revolucionária estaria gravemente ameaçado.

Infelizmente, foi o que aconteceu. Isolada, a nascente república soviética foi cercada e sangrada pelos capitalistas até cair vítima da contrarrevolução stalinista.

De qualquer maneira, Lênin jamais admitiria perder aquele trem.

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