terça-feira, 5 de setembro de 2017

Agosto de 1917: Lênin erra, os trabalhadores acertam

Rússia, agosto de 1917. O livro “October, The Story of the Russian Revolution”, de China Miéville, mostra como foi derrotado o golpe contrarrevolucionário do general Kornilov.

Diante da ameaça contrarrevolucionária, os membros dos sovietes, incluindo bolcheviques, entraram em pânico. Mas grande parte dos trabalhadores e soldados de Petrogrado reagiu de forma diferente. Foram criados destacamentos de luta e um comitê de resistência à contrarrevolução.

Mesmo sendo minoria, os bolcheviques assumiram o controle das operações. Para participar, exigiram uma condição: a organização de milícias populares. Cerca de 40 mil trabalhadores de vários ramos foram armados e tornaram-se um só exército.

No distrito de Vyborg, soldados assassinaram oficiais que se recusaram a reconhecer a autoridade do comitê revolucionário. Na Finlândia, a tripulação de um navio de guerra ameaçou executar oficiais que não jurassem fidelidade às "organizações democráticas".

Os ferroviários destruíram os trilhos que seriam utilizados pelas tropas contrarrevolucionárias. Três mil marinheiros armados chegaram de Kronstadt para defender os sovietes.

Em 30 de agosto, Kornilov seria derrotado sem um único tiro.

Lênin, ainda no exílio, errou feio neste episódio. Para ele, o golpe era uma fantasia criada pela esquerda moderada para justificar seu apoio ao governo provisório.

Mas quando a ameaça se confirmou, não hesitou em defender a resistência a qualquer custo. Uma ditadura de Kornilov seria muito pior que o fraco governo Kerensky. O problema é que esta orientação só chegou aos bolcheviques após a derrota do golpe.

Informado dos fatos, Lênin apenas admitiu que as avaliações dele e as dos trabalhadores "coincidiram totalmente”. Esta estranha “coincidência” mostra como o processo revolucionário de 1917 foi contraditório.

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